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Campus Tucuruí forma primeiro estudante surdo em curso superior do IFPA

O Instituto Federal do Pará (IFPA), Campus Tucuruí, alcançou um marco em sua trajetória ao formar o primeiro estudante surdo em um curso de nível superior da instituição. Igor Wenceslau Machado Conceição concluiu a graduação em Ciências da Computação após defender, no mês de março deste ano, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “Ensino da lógica de programação: material didático para surdos com Libras e QR Code”. Natural de Tucuruí (PA), Igor estudou durante toda a educação básica em escolas públicas. Ao longo desse período, enfrentou desafios relacionados à falta de intérpretes de Libras e ao preconceito quanto à capacidade de aprendizagem de pessoas surdas. “Minha mãe relatava que alguns professores diziam que eu nunca aprenderia por ser surdo”, recorda. Apesar das dificuldades, ele destaca que sempre contou com o apoio da família para seguir estudando. Ao ingressar no IFPA Campus Tucuruí, Igor encontrou um novo desafio: adaptar-se ao curso de Ciências da Computação e à rotina acadêmica. Ele conta que chegou à instituição feliz pela oportunidade, mas também com medo e ansiedade diante das incertezas sobre como superaria as dificuldades da graduação. No início, a comunicação com os colegas foi uma das principais barreiras. A situação começou a mudar quando o professor Alex de Oliveira organizou uma oficina de Libras com conceitos básicos para os estudantes da turma. Segundo Igor, essa iniciativa fez a diferença para a sua integração. “Notei meus conhecimentos sendo aprimorados. Tive dificuldades, sim, mas elas serviram para me fortalecer!” Pesquisa nasceu da própria experiência acadêmica Durante a graduação, Igor percebeu que muitos termos técnicos da área de Computação não possuíam sinais estabelecidos em Libras, o que dificultava a compreensão dos conteúdos, “pois não existe ou não existia um sinal para determinados vocábulos e, para conseguir entendê-los, a intérprete de Libras perguntava ao professor a função deles e, então, eu criava o sinal na hora se esse não existisse ainda”. Foi justamente dessa vivência que surgiu o tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso, orientado pelo professor Douglas Bechara. O material desenvolvido reúne recursos em Libras e QR Codes para facilitar o ensino da lógica de programação a estudantes surdos. “Com este material elaborado durante a formulação do meu trabalho, outros alunos surdos terão oportunidade de compreender de forma objetiva os conceitos de determinados termos. É um material produzido para atender alunos surdos que posteriormente irão ingressar no ensino médio integrado, subsequente ou na graduação. Um material exclusivo para consulta do Curso de Informática”, explica. Professor do curso de Ciências da Computação, Alex de Oliveira acompanhou a trajetória acadêmica de Igor durante a graduação e destaca o compromisso demonstrado pelo estudante ao longo da formação. Para o docente, a pesquisa representa uma importante contribuição para a inclusão no ensino. “Trata-se de uma entrega com alto valor agregado, que emerge de uma demanda concreta vivenciada pelo próprio autor e se materializa como uma solução estruturada para ampliar o acesso ao ensino de Lógica de Programação para a comunidade surda. É um projeto que transcende o escopo acadêmico e se posiciona como um ativo educacional inclusivo, com potencial de escalabilidade e impacto contínuo”, afirma. Após concluir a graduação, Igor ingressou no curso de Mestrado em Computação Aplicada e atualmente atua como desenvolvedor web full stack. Ao olhar para sua trajetória, ele deixa uma mensagem de incentivo para outros estudantes surdos interessados na área da Tecnologia da Informação. “Quero deixar um recado à comunidade, em especial aos surdos que se interessam na área de TI. Hoje sou mestrando, pois busco me profissionalizar nesta área. Fica meu convite a vocês que desejam seguir nessa área, seja [nos cursos] integrados, subsequentes ou na graduação… o mercado de trabalho precisa de profissionais que desenvolvam, e o IFPA concede essa chance de você ter uma profissão. Hoje, eu já trabalho como desenvolvedor web front-end back-end (full stack) e sinto-me honrando em ser o primeiro surdo da minha cidade a ingressar nesse cenário”, conclui. Apoio do Napne durante a formação no IFPA Durante a graduação, Igor contou com o acompanhamento do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), setor responsável por promover ações de acessibilidade e inclusão no campus. De acordo com a coordenadora do núcleo, Edna Trindade, o Napne atua tanto no atendimento aos estudantes quanto no suporte aos professores, oferecendo orientações e adaptações pedagógicas quando necessário. Além disso, o núcleo conta com intérpretes de Libras que realizam o acompanhamento das atividades acadêmicas. “No caso do Igor, elas faziam a interpretação integral e simultânea na dicotomia: professor/aluno, aluno/professor. É uma grande honra para nós do setor fazer parte da vida acadêmica desse aluno, que foi o primeiro estudante surdo a concluir o Ensino Superior no IFPA”, comemora Edna Trindade.

Graduação

Campus Cametá divulga processo seletivo com 27 vagas em curso de graduação

A Comissão de Processos Seletivos (Compese) do Campus Cametá do Instituto Federal do Pará (IFPA) divulga o processo seletivo para preenchimento de vagas remanescentes em cursos de graduação de Tecnologia em Agroecologia . São ofertadas 27 vagas para ingresso no 2º semestre do ano letivo de 2026. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no período de 11 a 27 de julho de 2026, nas modalidades on-line ou presencial. Para participar, os interessados devem ler atentamente o Edital Nº 5/2026. A inscrição poderá ser feito pelo envio de todos os documentos solicitados pelo Edital em arquivo único, em formato PDF, para o e-mail compese.cameta@ifpa.edu.br , ou entrega das cópias à Compese presencialmente ao Campus Cametá. O atendimento presencial será de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h e de 14h às 18h. Além da ficha de inscrição preenchida corretamente, os(as) candidatos(as) precisam reunir documento oficial com foto, CPF e histórico escolar do ensino médio ou documento equivalente. Pais, responsáveis legais ou procuradores também poderão realizar a inscrição, desde que apresentem a documentação exigida. O processo seletivo será composto por três fases. A primeira, consiste no envio completo da documentação. A segunda, é a prova de redação (9 de agosto – 8h30 às 10h30). A terceira etapa corresponde ao procedimento de heteroindentificação, previsto para dia 24 de agosto. Para participar da prova de redação, os(as) candidatos(as) precisam levar caneta de tinta preta ou azul, documento de identificação e comprovante de inscrição. O tema será definido pela Compese, e o texto deverá ser escrito pelo(a) candidato(a) em estilo dissertativo-argumentativo, em Língua Portuguesa, com extensão entre 15 e 30 linhas. Serão aprovados para a próxima fase os(as) candidatos(as) que conseguirem pontuação igual ou superior a 400. A inscrição implica na responsabilidade de acompanhar todas as etapas, cumprir os prazos e apresentar corretamente a documentação solicitada. Os candidatos que precisarem poderão entrar com recurso, conforme o cronograma do Edital. O período de matrícula para os aprovados na primeira chamada será de 4 a 11 de setembro. As vagas remanescentes serão preenchidas pela segunda chamada para habilitação de matrícula, prevista para ser publicada em 17 de setembro. Se ainda restar vagas não preenchidas, será publicada uma convocação de manifestação de interesse (30 de setembro). A Compese orienta os candidatos a realizarem uma leitura atenta do edital, observa os prazos, requisitos, procedimentos e a documentação necessária para participar do processo seletivo e posterior matrícula. O edital também prevê que eventuais alterações serão divulgadas por meio de erratas no site www.prosel.ifpa.edu.br . O Campus do IFPA em Cametá fica situado na Avenida Euclides Figueiredo SN – Bairro Marambaia, de segunda a sexta-feira, nos seguintes horários: 09h às 11h e 14h às 17h. Clique aqui e acesso o Edital.